quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dois

A court is in session, a verdict is in
No appeal on the docket today
Just my own sin
The walls are cold and pale
The cage made of steel
Screams fill the room
Alone I drop and kneel

- Eu estou com medo, Theo. 

Alissa estava abraçada aos joelhos, parecendo uma criança, chorando. Não a culpo. 

- Fique calma. Está tudo bem.
- Não, não está. Eles o mataram, Theo! Nunca nada nesse país vai estar bem, porque nossa sociedade é orgulhosa demais para ao menos ensinar aquela droga de acordo! - ela falava alto demais e alguns policiais olharam para nós.
- Alissa. Você nem sabe se há mesmo um acordo.

Agora nossos vizinhos já estavam indo embora, felizmente. Nada do que eles dissessem mudaria o que acabara de acontecer.
Nosso pai estava completamente certo ao tentar ultrapassar. Mas foi tolice dele tentar, sem nenhuma preparação. Mesmo se ele conseguisse, ele iria sem nós? Uma onda de raiva percorreu meu corpo. Depois de tantos anos planejando sair daqui juntos, ele iria sem seus próprios filhos? Não. Não poderia. Não posso acreditar que ele faria isso.

- Nós estudamos sobre o acordo desde a pré escola. Deve haver um.
- Esse é o problema. - digo, me levantando - Ninguém tem certeza. Não há como saber se eles ensinam esse tipo de coisa só para ter algo para dizer sobre a barreira.

Alissa congelou.

- Theo, não fale isso em voz alta.
- Por que todo esse medo?
- Eu leio sobre o que acontece com pessoas como você!
- Pessoas como eu? - digo, ofendido. - Eu só estou tentando fazer o que é certo. E não há como saber das coisas apenas lendo, Alissa. Você precisa ver acontecer.
- É mesmo? Bom, posso citar dois casos de pessoas que foram mortas por agirem como você.
- Alissa... - meu interior implorava para que ela não terminasse.
- Mamãe e papai. Você será o próximo, Theo? Porque eu não serei.


Entro em casa silenciosamente. Não quero comemorações. Apenas quero ir para meu quarto e processar o que acontecera naquela tarde. Antes estava animada com meus 18 anos, mas agora não importa. Como eles conseguiram fazer isso? Simplesmente machucarem meus olhos sem nem ao menos me tocar. Não admito, mas estou apavorada.

A sala está vazia. Não que seja alguma surpresa, mas o silêncio é reconfortante. Fico parada ali, apenas sentindo minhas forças se esvaírem. Como posso lutar com algo que é capaz de me apavorar mesmo depois de anos?

Penso que talvez sempre estive apavorada, mas só percebi isso agora, o que não me deixa nem um pouco mais confiante. Não sei o que esperava. Eu não tenho estratégia alguma. Não tenho armas. Não tenho ninguém. Não tenho esperanças.

Mesmo assim, um sentimento se desperta dentro de mim. Tenho que tentar. Não importa quão pequenas sejam as minhas chances. 

- Filha? - a voz doce de minha mãe chama, mas quase não ouço. Milhões de pensamentos estão passeando em minha cabeça - você chegou?
- Sim, mamãe. Estou aqui

Entendo que ela estava apavorada, era a primeira vez que eu saía de casa sozinha. O mundo lá fora é cruel. E não precisei de mais de um dia sozinha para descobrir isso. 

- Parabéns, Anna. Dezoito anos.
- Sim. Dezoito.

Meu pai se aproxima e me dá um longo abraço. Ele cheira a sabonete. Fecho os olhos e tento me concentrar só naquele abraço, mas ele logo se afasta.

- Temos uma coisa para você.
- Uma... O quê? - meus pais nunca me deram nada de presente. Não que eu me importasse. Nós geralmente não ganhávamos presentes, e isso era normal.

Meus pais trocaram um olhar e minha mãe me ofereceu um sorriso, abrindo uma pequena caixa de veludo. Dentro dela havia um bracelete dourado.

- Quando se sentir em apuros - meu pai diz gentilmente - tire-o do seu pulso. 

Gostaria de dizer que entendi a mensagem e que o usaria com sabedoria, mas na verdade não entendia como um bracelete me ajudaria num momento desses. Mesmo assim, o aceitei e coloquei em meu pulso, e coube perfeitamente. 

- Obrigada. - sussuro.
- Nunca se esqueça que nós te amamos, filha.
- Por que estão me dizendo isso?

Minha mãe dá um pequeno sorriso e meu pai aperta minha mão. Depois, se levantam e me deixam sentada ali, em meio ao silêncio da pequena sala.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um

We're all held captive
Out from the sun
A sun that shines on only some
We the meek are all in one


Eu caminhava com passos tímidos ao lado da Rua, nome que haviam dado para a barreira para suavizar o significado daquilo tudo. Tolos. Como se isso fosse melhorar as coisas.
De cabeça baixa, mordia o lábio enquanto me desviava de pessoas e pensava.
Eu acho que a Rua é um desafio à nós. Eles podiam muito bem construir um muro ali, ou ao menos uma grade. Mas isso parece um teste. Quem se atreveria a passar por ela ou não, quem iria enfrentá-los. Parece tão fácil passar por ela. Mas nós sabemos que não é. Eles estão lá. Sempre estão.

- Theo! - alguém gritou. Virei-me em direção à voz procurando quem me chamava. Era Alissa, minha irmã. Ela vinha correndo até mim. - Theo!
- O que foi? - gritei de volta, tentando achar espaço em meio à multidão.
- Theo... - ela parou, ofegante - você precisa vir comigo.


Que lugar detestável. Eu acho, não, tenho certeza que o outro lado é bem melhor. Isso se há um outro lado. Eles podem estar nos enganando como sempre fazem. Mas aqui continua sendo detestável.
Minhas botas batiam com força no chão. Entrei na pequena e única padaria do meu bairro.

- Olá, mocinha - o Sr. Foust cumprimentou - o que faz aqui tão cedo?
- Quero dois pacotes de pães integrais - eu disse, entregando o dinheiro amassado que tirei de meu bolso.

Ele franziu as sobrancelhas.

- Você quer gastar todo seu pão em apenas uma compra?
- Sim - disse, segura.
- Tudo bem.

Nós tínhamos direito à apenas dois pacotes de pão por mês. Isso era meu dia a dia. Não podia reclamar. Os Liggs não tinham nada além de restos para comer.
Peguei os pacotes e saí da padaria rapidamente. Era meu primeiro dia de maioridade e estava muito feliz de poder finalmente andar por aí sem a companhia dos meus pais. Digo, muito feliz do meu jeito, porque eu não sou o tipo de garota que fica 'muito feliz', como Iris, garota da minha sala, que está por aí com as roupas mais coloridas que nos permitem usar. Talvez eu havia sido como ela antes de entender o que era a Rua.
Não me contive. Mudei de avenida, em direção à Rua. Eu não ia lá há um bom tempo. Não sei realmente se queria voltar, mas não conseguia mais me controlar, meus pés se mexiam por conta própria, e eu sabia para onde eles estavam me levando.

Parei. Estava perto demais. Recuei alguns passos. Ninguém ia para essa parte da cidade. Encarei o outro lado por alguns minutos. Lá, diferentemente daqui, estava cheio de pessoas com roupas sofisticadas, coisa que ninguém usava por aqui, e pareciam apressadas.

Minha visão começou a ficar embaçada. Meus olhos estavam ardendo. Fechei-os e massageei até que a dor passasse. Olhei para o chão. Gotas de água escorriam e se formavam em uma mensagem.

"Não olhe."

Prendi a respiração. O que era aquilo?
Mas eu sabia o que era.

Saí dali o mais rápido possível, correndo. Minha respiração estava curta, eu estava tremendo.

O que acabara de acontecer?

Prólogo

Eu era muito nova quando descobri. Mas talvez eu devesse ter descoberto antes. Eu me lembro de cada detalhe daquele dia.

Tinha apenas 5 anos. Gostava de usar duas maria chiquinhas presas por um elástico cor de rosa. Ia para todo o lugar segurando a mão de minha mãe, era uma criança perfeitamente feliz, sem preocupações.
Meus pais hesitaram em me levar junto naquele dia, mas não poderiam me deixar sozinha, era perigoso.
Tinham de ir até o centro para resolver alguns assuntos, então andamos meia hora para poder chegar lá. Naquela época, eu não sabia da existência de carros ou qualquer meio de transporte que não fosse nossos próprios pés ou uma bicicleta. Andamos até certo ponto, mas um erro infeliz de meu pai nos fez parar. Os dois congelaram, mas minha mente inocente não me permitiu parar ou processar o que estava acontecendo. Eles deviam ter me contado.
Era uma rua larga, muito larga. do outro lado passavam pessoas esquisitas, com roupas diferentes das nossas. Aquilo me fascinou e comecei a correr para poder encontrar aquele novo mundo que havia descoberto. Ouvi minha mãe gritar. Ouvi meu pai correndo atrás de mim. Os guardas me barraram e seguraram meu braço com tanta força que comecei a chorar.
Meu pai me pegou no colo.

- Controle sua criança - o guarda vociferou, enquanto se afastava.

Meu pai me levou para longe dali.

- Anna, nunca mais se aproxime, entendeu? - ele disse, sério.

Minha mãe chorava. Eu não tinha entendido. Só mais tarde fui entender.


Havia uma barreira.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Hi

Oi gente

Então, essa é minha nova fic.
Em breve farei o primeiro capítulo, espero que vocês gostem, divulguem e comentem. (indireta)
Vou tentar ser mais presente nessa fic, já que já tenho mais ou menos uma ideia de como vai ser.
Provavelmente não vai ser uma fanfic muito grande, veremos.

Beeijos