segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um

We're all held captive
Out from the sun
A sun that shines on only some
We the meek are all in one


Eu caminhava com passos tímidos ao lado da Rua, nome que haviam dado para a barreira para suavizar o significado daquilo tudo. Tolos. Como se isso fosse melhorar as coisas.
De cabeça baixa, mordia o lábio enquanto me desviava de pessoas e pensava.
Eu acho que a Rua é um desafio à nós. Eles podiam muito bem construir um muro ali, ou ao menos uma grade. Mas isso parece um teste. Quem se atreveria a passar por ela ou não, quem iria enfrentá-los. Parece tão fácil passar por ela. Mas nós sabemos que não é. Eles estão lá. Sempre estão.

- Theo! - alguém gritou. Virei-me em direção à voz procurando quem me chamava. Era Alissa, minha irmã. Ela vinha correndo até mim. - Theo!
- O que foi? - gritei de volta, tentando achar espaço em meio à multidão.
- Theo... - ela parou, ofegante - você precisa vir comigo.


Que lugar detestável. Eu acho, não, tenho certeza que o outro lado é bem melhor. Isso se há um outro lado. Eles podem estar nos enganando como sempre fazem. Mas aqui continua sendo detestável.
Minhas botas batiam com força no chão. Entrei na pequena e única padaria do meu bairro.

- Olá, mocinha - o Sr. Foust cumprimentou - o que faz aqui tão cedo?
- Quero dois pacotes de pães integrais - eu disse, entregando o dinheiro amassado que tirei de meu bolso.

Ele franziu as sobrancelhas.

- Você quer gastar todo seu pão em apenas uma compra?
- Sim - disse, segura.
- Tudo bem.

Nós tínhamos direito à apenas dois pacotes de pão por mês. Isso era meu dia a dia. Não podia reclamar. Os Liggs não tinham nada além de restos para comer.
Peguei os pacotes e saí da padaria rapidamente. Era meu primeiro dia de maioridade e estava muito feliz de poder finalmente andar por aí sem a companhia dos meus pais. Digo, muito feliz do meu jeito, porque eu não sou o tipo de garota que fica 'muito feliz', como Iris, garota da minha sala, que está por aí com as roupas mais coloridas que nos permitem usar. Talvez eu havia sido como ela antes de entender o que era a Rua.
Não me contive. Mudei de avenida, em direção à Rua. Eu não ia lá há um bom tempo. Não sei realmente se queria voltar, mas não conseguia mais me controlar, meus pés se mexiam por conta própria, e eu sabia para onde eles estavam me levando.

Parei. Estava perto demais. Recuei alguns passos. Ninguém ia para essa parte da cidade. Encarei o outro lado por alguns minutos. Lá, diferentemente daqui, estava cheio de pessoas com roupas sofisticadas, coisa que ninguém usava por aqui, e pareciam apressadas.

Minha visão começou a ficar embaçada. Meus olhos estavam ardendo. Fechei-os e massageei até que a dor passasse. Olhei para o chão. Gotas de água escorriam e se formavam em uma mensagem.

"Não olhe."

Prendi a respiração. O que era aquilo?
Mas eu sabia o que era.

Saí dali o mais rápido possível, correndo. Minha respiração estava curta, eu estava tremendo.

O que acabara de acontecer?

Prólogo

Eu era muito nova quando descobri. Mas talvez eu devesse ter descoberto antes. Eu me lembro de cada detalhe daquele dia.

Tinha apenas 5 anos. Gostava de usar duas maria chiquinhas presas por um elástico cor de rosa. Ia para todo o lugar segurando a mão de minha mãe, era uma criança perfeitamente feliz, sem preocupações.
Meus pais hesitaram em me levar junto naquele dia, mas não poderiam me deixar sozinha, era perigoso.
Tinham de ir até o centro para resolver alguns assuntos, então andamos meia hora para poder chegar lá. Naquela época, eu não sabia da existência de carros ou qualquer meio de transporte que não fosse nossos próprios pés ou uma bicicleta. Andamos até certo ponto, mas um erro infeliz de meu pai nos fez parar. Os dois congelaram, mas minha mente inocente não me permitiu parar ou processar o que estava acontecendo. Eles deviam ter me contado.
Era uma rua larga, muito larga. do outro lado passavam pessoas esquisitas, com roupas diferentes das nossas. Aquilo me fascinou e comecei a correr para poder encontrar aquele novo mundo que havia descoberto. Ouvi minha mãe gritar. Ouvi meu pai correndo atrás de mim. Os guardas me barraram e seguraram meu braço com tanta força que comecei a chorar.
Meu pai me pegou no colo.

- Controle sua criança - o guarda vociferou, enquanto se afastava.

Meu pai me levou para longe dali.

- Anna, nunca mais se aproxime, entendeu? - ele disse, sério.

Minha mãe chorava. Eu não tinha entendido. Só mais tarde fui entender.


Havia uma barreira.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Hi

Oi gente

Então, essa é minha nova fic.
Em breve farei o primeiro capítulo, espero que vocês gostem, divulguem e comentem. (indireta)
Vou tentar ser mais presente nessa fic, já que já tenho mais ou menos uma ideia de como vai ser.
Provavelmente não vai ser uma fanfic muito grande, veremos.

Beeijos