segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Prólogo

Eu era muito nova quando descobri. Mas talvez eu devesse ter descoberto antes. Eu me lembro de cada detalhe daquele dia.

Tinha apenas 5 anos. Gostava de usar duas maria chiquinhas presas por um elástico cor de rosa. Ia para todo o lugar segurando a mão de minha mãe, era uma criança perfeitamente feliz, sem preocupações.
Meus pais hesitaram em me levar junto naquele dia, mas não poderiam me deixar sozinha, era perigoso.
Tinham de ir até o centro para resolver alguns assuntos, então andamos meia hora para poder chegar lá. Naquela época, eu não sabia da existência de carros ou qualquer meio de transporte que não fosse nossos próprios pés ou uma bicicleta. Andamos até certo ponto, mas um erro infeliz de meu pai nos fez parar. Os dois congelaram, mas minha mente inocente não me permitiu parar ou processar o que estava acontecendo. Eles deviam ter me contado.
Era uma rua larga, muito larga. do outro lado passavam pessoas esquisitas, com roupas diferentes das nossas. Aquilo me fascinou e comecei a correr para poder encontrar aquele novo mundo que havia descoberto. Ouvi minha mãe gritar. Ouvi meu pai correndo atrás de mim. Os guardas me barraram e seguraram meu braço com tanta força que comecei a chorar.
Meu pai me pegou no colo.

- Controle sua criança - o guarda vociferou, enquanto se afastava.

Meu pai me levou para longe dali.

- Anna, nunca mais se aproxime, entendeu? - ele disse, sério.

Minha mãe chorava. Eu não tinha entendido. Só mais tarde fui entender.


Havia uma barreira.

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